Confidências duma Balzaquiana desiludida com alguns homens e surpreendida com outros

14
Set 09

Pois foi o que me aconteceu hoje.

A situação é ao mesmo tempo insólita e premonitora.

Conta-se em poucas palavras: hoje de manhã fui à praia como tenho feito quando o tempo o permite.

Gosto de ir para a praia com poucos banhistas e com bastante espaço entre mim e o vizinho do lado.

Vou normalmente sózinha porque gosto de estar a sós a ler e a ouvir o mar.

Hoje fui das primeiras pessoas a chegar e pensei: já foi tudo para o trabalhinho.

Eis senão quando, estando eu muito confortável a apanhar sol, ouvi o aproximar de alguém dentro do meu espaço balnear.

Olhei e era um cavalheiro que já por ali tinha visto várias vezes e que costumava ficar perto de mim.

Nada de especial, excepto que achei que se tinha chegado demasiado mas enfim.

Pois lá continuei eu a apanhar o meu solinho até ao meio-dia nas calmas.......a essa hora costumo mudar de posição e pôr  a cabeça e os ombros à sombra do chapéu.

Assim fiz e de repente tinha um convidado na minha sombra: um cão.

Achei piada: chegou, deitou-se e olhou para mim a ver se o enxotava.....mas para quê? a sombra dava para os dois!

Eis que chega a hora de me ir embora e lá me levantei, sacudi a toalha e comecei a embrulhar a trouxa........de repente o tal vizinho estava ao pé de mim e aqui começou o insólito: pediu desculpa de me abordar mas gostaria de me convidar para lhe fazer companhia ao almoço.......

Fiquei a olhar para ele e a pensar: boa, esta nunca me tinha acontecido!

E como tinha tomado balanço continuou: tenho-a visto aqui e como vem sempre sózinha achei que é uma pessoa só....

Achei melhor acabar com aquilo rapidamente.

Respondi-lhe: agradeço o convite mas tenho que recusar porque a família está em casa à espera....nem me deixou terminar.

"Tem uma filha? Mas não tem marido?"

Achei melhor nem desfazer o equívoco (se calhar é um pouco surdo) e respondi logo que realmente não tinha marido porque era viúva.......para o caso tanto fazia ;-)

Bem aqui o sujeito ganhou asas!

" Eu gostaria imenso que aceitasse o meu convite, eu sou divorciado, vivo em ..... e vou estar uns dias ausente. Se calhar já não a torno a ver e vou dar-lhe o meu contacto para...."

Aí fui curta e grossa.

Só lhe disse que não valia a pena porque eu não lhe ia telefonar. E que agradecia o interesse mas que não estava à procura de "companhia".

Desfez-se em desculpas por me ter abordado e lá desandou.......o melhor é que o vizinho do outro lado estava calmamente sentado a assistir a isto.......deve-se ter divertido com a cena!

Bem dei-lhe uns metros de avanço e dirigi-me ao carro com o cão a acompanhar-me.....aí tive mesmo que o enxotar, coitadinho.

Bem lá meti as tralhas no carro e quando me sentei olho em frente e que vejo eu? O meu admirador especado a olhar para mim!

Arranquei e ala que se faz tarde.

Mas pelo caminho vim a pensar: acorda miúda! A partir de agora é o que te espera!

Mas analisando a situação fiquei sem perceber porque raios o homem me abordou.

Estava bem à vista que não somos farinha do mesmo saco: nada contra mas tenham dó!

E que esperava ele? que eu aceitasse?

Sinceramente fiquei com um gosto amargo na boca, e com uma certa pena do homem.

Amanhã por via das dúvidas vou mudar de praia não vá aparecer de novo.

É triste mas é assim: já não pode uma mulher ir para a praia descansada......

E sobretudo não pode estar sózinha, pelos vistos, porque logo aparece um aspirante a .....nem sei a quê!

Ora com outras mulheres sózinhas ali mesmo à mão de semear (contei 4 ) e mais do género dele ,foi-me escolher logo a mim...deve ser da minha beleza e charme ;-)

Mas quem me havia de dizer que aos 48 anos um desconhecido me ia convidar para almoçar......mas como diz o escritor "um almoço nunca é de graça...."

Balzaquiana às 20:57
sinto-me: nem sei como
música: Mamma Mia

30
Ago 09

Este texto não é meu mas acho-lhe imensa piada.

 

Aqui o deixo e lembrem-se que nunca se sabe quando é o "tal" encontro......

 

 

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.


Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza.
Idealizar é sofrer.
Amar é surpreender.
 
Martha Medeiros

 

 

Balzaquiana às 18:24
sinto-me: bem disposta

18
Ago 09

O episódio passou-se há uns anos e nem me lembrava mais desta frase até que a tornei a ouvir de outra boca.

E novamente fiquei sem perceber.

A frase é esta pérola: "........e estou muito feliz por nunca me ter apaixonado por ninguém para não andar a bater com a cabeça nas paredes...."

Na altura achei de muito mau gosto e pensei que quem diz isto só pode ser uma pessoa sem afectividade.

Revela cobardia e calculismo............bem o tempo, esse grande Mestre, deu-me razão.

Mas esta semana ouvi mais ou menos o mesmo da boca duma jovem de 28 anos.

Confesso que me arrepiei e não foi de frio.......

Que alguém na casa dos 40 seja calculista e, porque não dizer, um grande filho da mãe,

ainda se pode aceitar mas uma jovem?

Que valores tem esta juventude?

Que vida afectiva pode ter uma pessoa que não se prende a ninguém para não sofrer?

Será que amar é assim tão doloroso para estas pessoas?

De que têm medo?

De sentir emoções?

Confesso que não percebo.

Pessoalmente continuo a achar que melhor do que não sentir nada, ter pedras no lugar do coração, é entregar-se às emoções e vivê-las.......

Mas eu até sou muito mais que balzaquiana..........

Ou como o título de um livro autobiográfico de Garcia Marquez: Viver para Contá-la

A vida, claro!

Balzaquiana às 21:53
sinto-me: intrigada

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