Confidências duma Balzaquiana desiludida com alguns homens e surpreendida com outros

28
Jan 09

Manuel.

O seu nome é Manuel.....mais conhecido por Manecas.

 

O Manecas é o que se chamava "um bom partido".

Noutros tempos.....de moçoilas casadouras e lambisgóias descaradas.

Descendente de uma família de boa cepa duma cidade de província, foi criado e sempre viveu "no campo".

Como bom partido que era, na sua juventude muitas noivas lhe tentaram arranjar mas ele sempre conseguiu manter-se independente.......e sozinho, situação que perdura até hoje.

É um perfeito cavalheiro, com bons modos e muito sedutor.

Como nunca precisou de trabalhar muito e os ares do campo são muito saudáveis, tem uma óptima figura.

Tem 50 e......muito bem apresentados.

Adora flirtar. Todo ele é charme e sabe dar a volta a qualquer mulher.

Já perdeu a conta às namoradas que  teve e que passaram quase todas a ser amigas muito lá de casa.

Adora receber amigos para passar o fim de semana lá na "quinta".........

Sim que a "quinta" até tem piscina.......natural!

Cozinha como muitas mulheres nunca o saberão fazer e é um excelente anfitrião.

Como teve sempre muito tempo livre usou-o para ler e instruir-se : é uma experiência única uma conversa com o Manecas ao pé da lareira, noite fora.

Na sua juventude quis ser piloto de rallies e gastou uma boa parte da herança em carros e corridas.

Como um Lord inglês, o seu carro é já uma preciosidade, tratado com muito amor e carinho.....

A "mamã" já perdeu a esperança de o ver "arrumado".......afinal a idosa senhora nunca recuperou do desgosto do casamento que foi desmarcado 8 dias antes da festa......

Até hoje o Manecas nunca se explicou!

 

Balzaquiana às 21:35
sinto-me: iluminada
música: Jura - Rui Veloso

24
Jan 09

Esta frase traz-me lembranças muito doces( o contrário é que seria de admirar!)..........

Faz-me lembrar tempos idos de menina e moça.

Não que tivesse sido uma grande namoradeira (e agora bem que me arrependo) mas tive alguns namoricos que me deixaram um travo doce na boca.

Tenho quase 50 anos e vivi nos fabulosos anos 70-80 a minha adolescência.

Uma época de descobertas mas sobretudo uma vivência descomprometida e inconsequente.

Ninguém se preocupava se tinha ou não namorado, apenas gostavamos de alguém.

Não se levava o namorado para casa, para lá ficar instalado de cama e mesa.

Eram namoricos leves que iam e vinham.

Alguns duravam e passavam a um patamar mais elevado, outros não.

 Nada que se compare com os tempos de hoje.

Namorar a "sério" só mais tarde, que tinhamos muito tempo pela nossa frente.

E mais tarde, já adulta, um namorado não era um símbolo social mas alguém especial, muito especial.

E só se pensava num compromisso ao fim de algum tempo.

Agora não. É tudo muito rápido, muito "sério".

Por isso também a duração é tão curta........apaixonam-se e desapaixonam-se num espaço de 2-3 meses, o que me leva a questionar se chegaram sequer a conhecer-se.

Ou então a relação existe como "parceria": este é o melhor parceiro para os meus projectos.

Curioso? Nem por isso.

Vivemos num mundo em que os afectos cada vez menos contam, e em que os valores materiais são o mais importante.

Daí a necessidade de se escolher um parceiro que seja prometedor....

Mas como eu sou velhota, continuo a ver os afectos como o principal duma relação.

Continuo a gostar de ser cortejada, mimada e adorada.

Gosto que me elogiem, mesmo sabendo que estão apenas a demonstrar carinho por mim.

E tenho saudades de ouvir aquela frase: " Queres namorar?"

Hoje estou assim, saudosa dos tempos idos.

 

 

Balzaquiana às 22:13
sinto-me: com saudades de namorar
música: Velha infância - Tribalistas

17
Jan 09

Pois é.

Existem verdades .

Existem mentiras.

E existem mentiras que são verdades manipuladas.

Como? Com muita imaginação e sobretudo uma grande dose de sacanice.

Um exemplo:

"A minha história é simples: apaixonei-me depois de me ter casado mas a minha mulher traiu-me  ao fim de 3 anos......estivemos separados 3 anos mas  ela engravidou."

Comentário da ouvinte: " Engravidou ? Mas não estavam separados?"

Aqui começa a mentira da verdade.

"Sim estávamos mas aconteceu apenas uma vez, vê lá........."

Ligeiro cheiro a esturro no ar.

"E depois voltei lá para casa porque a minha filha mais nova começou a ser violenta na escola."

A relação do retorno com tudo o resto fica perdida neste discurso muito desconexo.

Esta "história" está toda contada de maneira a provocar na ouvinte compaixão pelo pobre enganado.Nem ele se deve já lembrar bem da verdade......

Outro exemplo.

"Sabes ainda continuo casado mas apenas porque eu sou filho de pais divorciados e não quero que o meu filho passe pelo mesmo"

Mistério insondável: viver num ambiente de mentira é mais saudável que viver num ambiente de verdade?

Pelos vistos é!

Mais um exemplo.

"Ela traiu-me! E com um dos meus amigos."

Acontece mas o melhor vem a seguir.

"Sim porque só queria andar em festas e bares.......ficar comigo em casa é que não!"

A ouvinte atreve-se a perguntar: "Mas desde o início que a vossa relação era assim? Objectivos e interesses tão diversos?"

Aqui vem o melhor: "Não. Eu de início ia com ela mas fartei-me de andar sempre numa roda-viva."

Ouve-se um alarme a tocar.

Dá para perceber que estamos perante 2 pessoas com pouco em comum. Ora realmente o melhor era alguém sair.

Cá para mim o melhor amigo apenas serviu para uma pequena lição......

Mas é assim: existem pessoas que ao invés de aceitarem a sua realidade, a pintam e distorcem para atrair incautos.

Ainda bem que  a mentira tem perna curta.

Balzaquiana às 21:30
música: Little Lies - Fleetwood Mac

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